Achei dois texto legais, sobre o assunto:
Segundo Wilson da Costa Bueno*
"A propaganda de bebidas, assim como acontece com a do cigarro, merece , para usar a linguagem dos jovens, uma "sacudida legal". Os interesses são poderosos e os métodos de convencimento e de lobby transgridem a lei e a ética.
As agências de propaganda e seus profissionais deveriam também assumir o seu papel, deixando de desperdiçar o seu talento com campanhas socialmente irresponsáveis. Certamente, para algumas delas é pedir demais. Provavelmente, praticam , sem qualquer vergonha, a máxima superada de que "dinheiro é dinheiro, não importa o dono". Isso explica porque muitas postam-se ao lado de políticos tidos como corruptos em épocas de eleição, defendem fabricantes de drogas (o tabaco e o álcool são outra coisa?) ou promovem falsos medicamentos e terapias, penalizando a população. Talvez esteja chegando a hora de mudar o jogo. Como não temos rabo preso, atiramos aqui a primeira pedra." Texto completo.
O texto da psicóloga Rosely Sayão sobre “bebidas na adolescência” remete a duas importantes questões para os publicitários:

"acho que é hora dos publicitários brasileiros repensarem conceitos das propagandas de cerveja, principal alvo dos críticos. Veja o exemplo dos layouts publicados nesta página: “Chegou Nova Schin Zero. Tudo o que uma cerveja precisa ter menos o álcool.” Para divulgar uma cerveja sem álcool, o anúncio usa de todos os clichês das campanhas de cerveja: mulheres quase peladas (repare que a mulher segura uma bandeja com cerveja nas mãos, ou seja, na machista visão masculina da propaganda uma faz parte da outra), praia, bronzeado, futebol, surf, samba, carro esporte….
Repetidamente, as campanhas de cerveja abusam dos mesmos clichês, variando as produções entre praia e bar, criando o irreal mundo dos bebedores de cerveja. Não que a propaganda tenha que ser real, um documentário, mas se os publicitários e a indústria querem evitar a desastrosa proibição de propagandas de bebidas, deveriam buscar campanhas mais inteligentes, mais criativas, diversificar idéias. Lembro-me da famosa campanha da Budweiser americana (veja filme )
que colocou na televisão personagens desgrenhados, barrigudos, barba por fazer, deitados em frente a TV, diante da tela do computador: com uma garrafa de Budweiser nas mãos, gritando irritantemente como se não tivessem mais nada para fazer na vida. As campanhas da Heinneken criam situações engraçadas, irreverentes, divertidas para o público, mas nada apelativo em termos de erotismo, aventura e conquistas impossíveis (Juliana Paes de garçom no Bar da Boa é quase uma agressão a inteligência do espectador). Acho que o caminho é este: divertir o público de forma consciente, sem apelação, evitando as fórmulas consagradas como o trio mulher/praia/bar.
Neste ponto, acho que a campanha da Skol é mais interessante. Abaixo você vê o novo filme desta campanha, futebol, que começa a ser veiculado hoje nas TVs." Texto completo
*Wilson da Costa Bueno é jornalista, professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UMESP e professor de Jornalismo da ECA/USP, diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa.
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